E eis que no shopping me deparo com todas as sessões de Alice lotadas. A próxima, a outra e a outra.
Se é bem divulgado, vira obrigação, né? Tem que ver logo, senão não tem mais graça... Eu preferi ver os famosos e os duendes da morte, que é muito louco. E depois, um hamburguer bem gorduroso na Lanchonete da Cidade, porque lá eu nunca tinha comido.
segunda-feira, 26 de abril de 2010
quinta-feira, 15 de abril de 2010
do outro lado do espelho

A sua imagem é uma linda puta com longos, longos cabelos. Sua voz é tão baixa que quando ela fala, mal se escuta. Sua voz é quase um sussurro. Mas se você fala enquanto ela canta, sua voz não sai. Mesmo que você grite, sua voz é um grande vazio de angústia.
Aquela mulher tem uma voz macia e uma aparência de beleza eterna, como uma boneca, que transforma em vidro o sentimento mais palpável que você já sentiu. Seu toque, sua voz, sua presença, esfriam o coração quente e tiram do ar todo o perfume do mundo.
E é por isso que sua casa não tem cheiro, não tem cor, não tem vida. Toda a vida está nela, essa vadia. Sua voz, ah, a sua voz, é doce como o canto de um anjo. Ela é tão bela, a Desespero.
Tire-a dali e nada mais resta.
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